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aninha
Ensino - um post sério!
Acabei de ler o seguinte:
Neste plano, que deve ter início em julho, o governo irá propor às universidades privadas isenções fiscais; em troca, estas deverão reservar não menos de um quinto de suas vagas para estudantes de baixa renda. Dentro deste segmento da população, as universidades privadas terão de oferecer pelo menos 20% das vagas a estudantes negros e índios nativos, na medida que estes se encaixem num mínimo de padrões e requisitos acadêmicos. Fonte: Financial Times

Sim, todos queremos (ou pelo menos deveríamos querer) igualdade social. Mas será que esse é o melhor caminho?

Pensando como uma engenheira, essa medida visa corrigir um problema (tb conhecido com apagar um incêndio), e não prevenir.

Analisemos os fatos: por que estudantes de baixa renda não chegam às universidades públicas?
- Ensino primário e secundário ruim
- Necessidade de trabalhar para ajudar a família
- ?

E por que os negros, ou pardos, etc, não chegam lá?
- A maioria não branca da nossa populacão ainda pertence às classes menos abastadas, e então caímos no caso anterior, de baixa renda.

No Brasil temos uma grande inversão de valores no ensino, sendo o ensino elementar público de baixa qualidade (salvo algumas excecões) e o superior de alta qualidade. Quando digo alta qualidade, não digo que nossas universidades públicas são as melhores do mundo, mas no geral são as melhores do país.

Sendo (NO GERAL) mais renomadas, as públicas selecionam mais, por terem uma procura bem maior do que a oferta de vagas. E a selecão é feita baseada em conhecimentos acadêmicos. Como a educacão elementar (básico, ginásio, secundário, como quiserem) pública é notoriamente de menor qualidade, ainda mais com o estúpido sistema de aprovacão automática; quem é que vai passar pela peneira, e demonstrar melhores conhecimentos acadêmicos? Sim, os privilegiados das escolas particulares.

É um contra-senso gigantesco, e eu, como muitos outros, fiz parte disso. Cursei boas escolas particulares, nunca precisei trabalhar durante minha infância e adolescência, pois meus pais puderam prover a família, e fechei o ciclo cursando um universidade pública.

Voltando ao comeco: é claro que também precisamos corrigir problemas, às vezes com medidas emergenciais e/ou temporárias. Mas não se pode perder o foco. Uma vez corrigido o problema, tende-se a esquecê-lo. Não podemos, vamos previnir o problema então. Vamos investir no ensino público fundamental! É claro que não é um simples caso de pôr mais dinheiro, creio que uma grande mudanca será necessária. Não tenho como me aprofundar nesse assunto pois não sou a maior conhecedora da realidade da educacão no Brasil.

Enfim, bom que o governo queira maior igualdade social. Acho que todos queremos. Só espero que esse não seja o único caminho para a melhoria da educacão que eles têm em mente.

Um beijo

Ana

PS: Quem definirá mínimo de padrões e requisitos acadêmicos? Nota mínima no vestibular? E essas faculdades que até analfabeto passou no vestibular? Não querendo desmerecê-las, mas seu pobre processo seletivo que de selecão não tem nada; eles só querem desesperadamente mais e mais alunos. E quando perceberem que nem esse tal mínimo os alunos preenchem? Será que finalmente se voltarão pro ensino básico? Tomara...
 
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